“Se o ingrato percebesse o fel da amargura que lhe invadirá, mais tarde o coração, não perpetuaria o delito da indiferença”.(Emmanuel)
A ingratidão é tão terrível que parece corroer a alma de quem a exerce, causando mal-estar na própria pessoa.
Chega a ser muito triste quando detectamos que a ingratidão costuma brotar geralmente nas pessoas que são orgulhosas, ranzinzas, individualistas, pessimistas, ruins, infelizes, de mal com a vida e consigo mesmas, pessoas estas recheadas de amarguras, rancores e revoltas. Estas pessoas constroem aos poucos uma couraça que toma conta de seus próprios seres, transformando o coração delas num coração de pedra e a mão em mão de ferro. Não são capazes de amar e nem permitem que sejam amadas. Não são capazes de desejar o bem ao próximo, muito menos de servir a quem necessite algo, o que as leva a sempre se incomodarem com outro, a cobiçarem e a bisbilhotarem a vida alheia, criando assim uma barreira que as impede de enxergarem a gratidão, de se desenvolverem e de crescerem.
Outrossim, fechados e dotados de uma tamanha insensibilidade, os ingratos são pessoas que constantemente demonstram certo descontentamento e normalmente reclamam até mesmo da própria sombra. Assim, parecem vendar os próprios olhos diante das oportunidades e belezas da vida.
Somados a isso, são pessoas amargas, que parecem se esquecer do bem, dos favores e benefícios a elas concedidos, para se lembrarem e se torturarem vinte e quatro horas por dia com o ressentimento e as ofensas porventura vivenciados, fixando na própria mente pensamentos ruins que irão aos poucos corroer suas almas e provocar suas próprias ruínas. Dessa maneira, quase sempre diz “não” ao reconhecimento, a humildade, a empatia e a sabedoria, o que as leva a não enxergar saídas em meio a qualquer tempestade vivida.
Nessa trilha, pode-se dizer que a energia negativa do ingrato é tão notória e perversa que o contagia, provocando pensamentos e sentimentos negativos, além da famosa desarmonia, causando em todos ao seu redor uma tremenda sensação de mal-estar.
Importante dizer que a ingratidão anda sempre atrelada à inveja e ao sentimento de rejeição. Logo, quem é beneficiado esquece-se da ação recebida e cerca de pensamentos ruins a pessoa que o beneficiou, lançando sobre ela seus raios de pensamentos nocivos. Deste modo, o ingrato inicia o choro e as lamentações, fazendo-se de vítima e não realizando de coração os agradecimentos, desapontando totalmente quem o beneficiou.
Nesse contexto, a petulância, o egoísmo, a rebeldia, a arrogância, o descaro, o atrevimento, a falta de educação, a insolência, o desequilibro emocional evidenciado, juntamente com a falta de amor próprio, o rancor, a crueldade e o ódio arrojados na face do ingrato, tornam a convivência insuportável em meio a um ambiente que se torna desagregador.
Vale ressaltar que a ingratidão impede a pessoa de olhar para frente e seguir adiante em meio às adversidades da vida, uma vez que o ingrato sempre fique remoendo e se torturando o tempo todo com o passado, negando-se a viver o presente e a enxergar um futuro promissor, fazendo com que sua vida fique ainda mais desordenada. O passado o aprisiona, portanto, é preciso retirar as algemas e libertar-se, dando-se uma nova chance para a vida e assim começar de fato a viver.
Neste ínterim, torna-se necessário salientar que rancor, lágrimas, angústias, querelas e sofrimentos não poderão nos contaminar a tal ponto de gerar em nós um sentimento de revolta e destruição, o que acabaria desencadeando sucessivas maldades, pois colhemos o que plantamos e, através da dor, teremos a oportunidade de amadurecermos, desenvolvermo-nos e crescermos. Assim, o passado deve servir de lição para quem deseja ser um ser humano melhor.
A despeito, porém, dessa situação, é preciso dizer que todos nós devemos fazer uma autoanálise para verificarmos se em alguma circunstância fomos ingratos com alguém, pois a ingratidão dói, e muito, para o beneficiador. Olvidar um ato de gratidão, além de ser lamentável, é prejudicial aos relacionamentos, seja em âmbito profissional ou pessoal.
Ademais, torna-se de suma importância destacar que o beneficiador não deve guardar nenhuma mágoa do beneficiado ingrato por tal destrato, pois isto fará mal para ele mesmo. Tenha piedade e compaixão dessa criatura ingrata, que é digna de dó por ter molestado seu próprio caráter.
Enfim, ao ingrato resta-nos dizer que o universo começará a conspirar a favor dele quando deixar de lado a ingratidão. Desta forma, concentre-se em suas atitudes e em seus comportamentos diante da vida e saiba que estes podem tanto levar-nos a ascender quanto a sucumbir, tanto no plano pessoal como no profissional.
Diante dessas tristes constatações, ainda é possível lobrigar que existe possibilidade de mudança. Basta você querer. Tudo depende de você.
15/01/2011
Marizete Furbino, com formação em Pedagogia e Administração pela UNILESTE-MG, especialização em Empreendedorismo, Marketing e Finanças pelo UNILESTE-MG. É Administradora, Consultora de Empresa, Coach, Professora, Articulista, Colunista , Escritora e Palestrante.
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